Susana Dobal

FICÇÃO E ENCENAÇÃO NA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA

O valor da fotografia enquanto documento tem sido tão questionado ultimamente que resta pouca dúvida sobre o caráter fictício de toda representação da realidade ainda que pela fotografia, concebida em sua origem como diretamente ligada à realidade. Ao mesmo tempo em que se deu o desvendamento teórico dos mecanismos de construção da realidade pela fotografia, novas estratégias na mesma direção se desenvolveram seja no meio artístico, seja entre os fotógrafos. Essas estratégias recorrem, inicialmente, a imagens recicladas de origens diversas – imagens publicadas pela imprensa, fotografia domésticas, institucionais, publicitárias – recontextualizadas para mostrar seu caráter artificial. Entretanto, encontramos também, mais recentemente, utilizações diferentes da encenação com uma temática ligada à tradição da fotografia documental. A obra de Rosangela Rennó ou a mistura de fotografia e pintura por Gerhard Richter são exemplos do primeiro caso. As fotografias de Dulce Pizón (México), Alejandro Chaskielberg (Argentina) e Delphine Balley (França) oferecem exemplos do segundo caso. Nessa apresentação será investigado como a ficção se infiltra no domínio do documento fotográfico para consolidar uma flutuação do real na fotografia contemporânea.

Conheça a palestrante

Crédito: Pierre Jordan

Crédito – Pierre Jordan

Peter Greenaway and the Baroque: writing puzzles with images (Berlin, LAP, 2010)

Peter Greenaway and the Baroque: writing puzzles with images (Berlin, LAP, 2010)

Susana Dobal é fotógrafa e professora na Universidade de Brasília. Fez mestrado em fotografia (International Center of Photography/New York University) doutorado em História da Arte (CUNY/GC), pós-doc na Université Paris 8. Participou de mais de trinta exposições em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, New York, Madrid, Buenos Aires e Nice. Publicou artigos sobre fotografia, cinema, arte e o livro Peter Greenaway and the Baroque: writing puzzles with images (Berlin, LAP, 2010). Artigos recentes (2012): “Sete sintomas de transformação da fotografia documental” (Revista Ícone – UFPE) (www.icone-ppgcom.com.br/index.php/icone/article/view/186 ) e “Tempo fotográfico e tempo cinematográfico: reciprocidades” (Revista Laika – USP) ( www.revistalaika.org/tempo-fotografico-e-tempo-cinematografico-reciprocidades). Desenvolve um blog dedicado a narrativas fotográficas: http://fotoescritas.blogspot.com

TRABALHOS

Retratos Falantes

Essa série de retratos, apresentada aqui parcialmente, reúne imagem e texto em que o retratado também se revela pela sua fala. Muitas vezes essas imagens foram o produto de conversas em uma mesa de bar, quando tentei preservar algo de quem estava à minha frente tanto com a ajuda do celular como da memória. Procuro reter os fragmentos de conversa que possam ser representativos de cada um, ou apenas os assuntos que pairam no ar e que merecem ser captados. Para o formato final, procurei um resultado que oscilasse entre a fotografia, o jornalismo, a literatura e a história em quadrinho. A maior parte dessas fotos foi feita com um iPhone; elas receberam tratamento posterior para dar mais cor a encontros que de fato ocorreram. A série dos Retratos Falantes foi mostrada no Centro de Arte Hélio Oticicia no Rio de Janeiro (Foto Rio 2011).

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Uma ideia sobre “Susana Dobal

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